Em um discurso de tom forte e com alvos bem definidos, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), lançou oficialmente sua pré-candidatura de Romeu Zema à Presidência da República neste sábado (16.ago.2025). Durante o 9º Encontro Nacional do partido Novo, em São Paulo, Zema elegeu o que chamou de “3 maiores inimigos desse país”: o “lulismo”, os “parasitas do Estado” e as facções criminosas. Com promessas de “varrer o PT do mapa” e “acabar com os abusos e perseguições do Alexandre de Moraes”, o governador mineiro se posicionou como um dos principais nomes do campo da direita para a disputa de 2026.
O evento, realizado na Amcham Business Center, serviu como palco para o partido Novo apresentar sua plataforma e reforçar sua oposição ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pronunciamento de Zema foi o clímax de uma série de palestras que contaram com a presença de lideranças do partido, como o presidente nacional Eduardo Ribeiro, o deputado federal Marcel van Hattem e o ex-procurador Deltan Dallagnol, consolidando uma narrativa de ruptura com o sistema político atual e a defesa de uma agenda liberal na economia e conservadora nos costumes e na segurança.
Os Três Inimigos do Brasil: A Plataforma da Pré-candidatura de Romeu Zema
O discurso do governador mineiro foi estruturado em torno do combate ao que ele considera os três grandes males do Brasil. “Essas próximas eleições vão decidir o nosso futuro e nós vamos ter de acertar as contas com os três maiores inimigos desse país: o lulismo, os parasitas do Estado e as facções criminosas”, declarou Zema, estabelecendo as bases de sua plataforma.
O Combate ao ‘Lulismo’ e aos ‘Parasitas do Estado’
A crítica ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao que Zema chama de “lulismo” foi um dos eixos centrais de sua fala. “Vamos chegar à Brasília para varrer o PT do mapa”, prometeu. O governador atribuiu sua própria entrada na vida política à crise econômica vivenciada durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Ele relatou que, como empresário, teve de demitir mais de 2.500 funcionários de sua empresa. “Foi um momento terrível para o Brasil e aquilo me fez ficar inconformado e indignado”, afirmou.
Além do PT, Zema mirou o que denominou “casta de privilegiados” no setor público, citando especificamente o Poder Judiciário como um exemplo de desperdício de recursos públicos. “Só o Judiciário, mais de 10 bilhões em salários acima do teto. Aposentadorias especiais, pensões idem e isso segue em vigor no setor público”, declarou, criticando os altos custos e privilégios da máquina estatal.
Guerra às Facções e a Ameaça do ‘Narco-Estado’
A segurança pública foi o terceiro pilar do discurso da pré-candidatura de Romeu Zema. Ele apresentou um dado alarmante, afirmando que 23 milhões de brasileiros vivem sob o controle de facções criminosas. “São pessoas que pagam mais caro pela água, pela internet, pela energia e pelo gás”, disse. Para Zema, a expansão do crime organizado representa uma ameaça existencial ao país. “E as facções ameaçam transformar o Brasil num narco-estado”, alertou, defendendo a mobilização de todas as forças de segurança para combater essas organizações.
Minas Gerais como Modelo: “Se foi possível fazer em Minas, é possível fazer no Brasil”
Para sustentar suas promessas, Zema utilizou sua gestão em Minas Gerais como um “case” de sucesso e um modelo a ser replicado nacionalmente. Ele apresentou uma série de feitos de seu governo como credenciais para sua pré-candidatura de Romeu Zema.
Apresentando as Credenciais
O governador afirmou ter investido na merenda escolar “23 vezes mais que o governo anterior do PT” e que dobrou os investimentos em educação em Minas. Na área da segurança, declarou que seu governo transformou Minas em “um dos Estados mais seguros do país”, destacando o controle do problema do “novo cangaço”, que segundo ele, afetava mais de 100 cidades mineiras anualmente.
A mensagem principal foi encapsulada na frase: “Se foi possível fazer em Minas, é possível fazer no Brasil”. Zema buscou apresentar o estado, com sua diversidade econômica e social, como uma síntese do país. “Minas é muito mais do que um Estado. Em Minas todos os Brasis se encontram. O Brasil que planta, o Brasil que fabrica, o Brasil que inova e o Brasil que tem fé”, disse, posicionando-se como um gestor capaz de lidar com a complexidade brasileira.
O Xadrez da Direita para 2026: Estratégia e Alianças Futuras
Em entrevista a jornalistas após o discurso, Zema comentou sobre o cenário pulverizado de candidaturas no campo da direita para as eleições de 2026.
Múltiplos Candidatos e União no Segundo Turno
A estratégia vislumbrada pelo governador mineiro é a de que a direita caminhe com vários pré-candidatos na fase inicial da campanha, com o objetivo de se unirem em um eventual segundo turno contra o candidato da esquerda. “O cenário que eu vejo é a direita caminhar com vários pré-candidatos e lá na frente, no 2º turno, todos estarão juntos”, afirmou.
Diálogo Aberto
Questionado se essa multiplicidade de nomes não poderia enfraquecer o campo político, Zema respondeu que “a proposta atual é essa”, mas deixou claro que a decisão final dependerá do diálogo entre os partidos. “Nós temos o presidente Eduardo Ribeiro, temos o presidente do partido do Tarcísio e tudo vai depender das conversas futuras”, disse, indicando que, embora a proposta hoje seja sua candidatura solo pelo Novo, alianças futuras não estão descartadas. “Hoje a proposta é caminharmos com a minha candidatura.”
O Tom do Partido Novo: Críticas Duras ao PT e ao STF
O discurso agressivo de Zema estava em total sintonia com o tom geral do evento do partido Novo, que foi marcado por duras críticas ao governo federal e, especialmente, ao Supremo Tribunal Federal.
O Alerta de Eduardo Ribeiro e a Comparação com a Venezuela
O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, fez um discurso alarmista, afirmando que o Brasil corre o risco de sofrer um êxodo populacional caso o PT não seja derrotado em 2026. “Quase todo mundo. São 5 milhões de brasileiros morando fora do Brasil. Esse número vai duplicar, triplicar. É uma verdadeira diáspora”, disse, traçando um paralelo com a crise humanitária da Venezuela: “E o fim a gente já sabe, nós temos um país vizinho, a Venezuela, que aconteceu exatamente isso”.
Van Hattem e a Defesa do Impeachment de Ministros
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), que introduziu Zema ao palco ao lado de Deltan Dallagnol, concentrou suas críticas no STF e no ministro Alexandre de Moraes. “O que nós vemos, os vazamentos de conversas entre assessores e juízes auxiliares de Alexandre de Moraes, é a mais pura perseguição política”, afirmou. Van Hattem também criticou as prisões relacionadas aos atos de 8 de Janeiro, alegando irregularidades, e prometeu que o partido trabalhará pelo afastamento de membros da corte. “Nós faremos o impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal”, garantiu.
Zema Entra no Jogo Presidencial com Discurso de Ruptura
O lançamento da pré-candidatura de Romeu Zema marca a entrada oficial de um novo e combativo ator na corrida presidencial de 2026. Com um discurso que mira diretamente a base conservadora e liberal, Zema se posiciona como um gestor experiente com um projeto de poder claro, baseado na ruptura com o “lulismo” e na crítica contundente ao que chama de “privilégios” do Estado e “abusos” do Judiciário. A eleição ainda está distante, mas o tabuleiro político acaba de ganhar uma peça de peso.