O Partido dos Trabalhadores (PT), agora sob novo comando, traçou um cenário de confronto direto e prolongado com as forças da direita internacional, lideradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em sua primeira resolução política, a nova executiva da sigla avalia que Trump intensificará uma ofensiva contra o Brasil com novas sanções e, principalmente, com uma “guerra híbrida” baseada no uso de redes sociais e inteligência artificial. O objetivo final, segundo o partido, é exercer forte influência de Trump nas eleições de 2026 para derrotar a provável candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O documento, divulgado neste sábado (23) ao final da reunião do diretório nacional que elegeu a cúpula do partido para os próximos quatro anos, serve como um guia estratégico para a legenda. A principal orientação é a formação de “alianças amplas” para barrar o que o PT classifica como um ataque à soberania brasileira e uma ameaça fascista. A resolução estabelece as prioridades da nova gestão, comandada pelo presidente Edinho Silva: reeleger Lula e reagir à ofensiva de Trump.
A “Guerra Híbrida”: O Diagnóstico do PT sobre a Ofensiva de Trump
A análise do Partido dos Trabalhadores é de que a disputa política transcendeu as fronteiras nacionais e entrou em uma nova fase, mais complexa e perigosa.
Sanções, Redes Sociais e Inteligência Artificial
A resolução política do PT afirma que a ofensiva de Trump e de seus aliados da direita brasileira se dará com “intenso uso da guerra híbrida”. O partido detalha que as ferramentas para essa batalha serão as redes sociais e o uso da inteligência artificial, que servirão como “instrumentos de disseminação de desinformação, teorias da conspiração e discursos de ódio contra grupos historicamente marginalizados”.
Para o PT, essa estratégia visa “desestabilizar instituições, corroer a confiança pública e fomentar a violência política, representando uma ameaça direta à democracia e ao Estado de Direito”. O partido acredita que a ofensiva de Trump contra o Brasil “não se esgotará nas medidas tomadas até agora” e que o país está diante de “uma disputa contra o fascismo, de caráter prolongado”.
O Objetivo Final: Derrotar Lula em 2026
O texto deixa claro qual seria o alvo principal dessa estratégia internacional. “O que Trump e seus aliados da direita brasileira pretendem, e não terão êxito, é derrotar, nas eleições de 2026, o projeto de desenvolvimento nacional que estamos consolidando sob a liderança do presidente Lula”, diz a resolução. A influência de Trump nas eleições de 2026 é, portanto, vista pelo PT como o ponto central da disputa que se avizinha.
O Contexto da Crise: As Ações que Já Abalaram a Relação Brasil-EUA
A preocupação do PT não é baseada em especulação, mas em ações concretas já tomadas pelo governo republicano nos Estados Unidos, que misturaram comércio com política interna brasileira.
O “Tarifaço” de 50%
No início de julho, a gestão Trump determinou um aumento abrupto para 50% das tarifas aplicadas a produtos brasileiros importados. Embora tenha aceitado uma série de exceções posteriormente, a medida foi vista como um ato de hostilidade comercial sem precedentes recentes.
A Politização da Disputa: A Conexão com Bolsonaro e Moraes
O que mais alarmou o governo brasileiro foi o fato de Trump ter dado um caráter abertamente político à guerra tarifária. Ele atrelou a questão comercial ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF, exigindo a paralisação do processo. Além disso, o governo americano impôs sanções diretas ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky. Para o PT e o governo Lula, essas ações representam uma interferência inaceitável em assuntos de soberania nacional.
A Estratégia do PT: Alianças Amplas para Barrar a Influência de Trump nas Eleições de 2026
Diante do diagnóstico de uma ameaça externa e interna coordenada, a resposta estratégica do PT, segundo a resolução, será a união.
A Convocação de Edinho Silva
De acordo com o novo presidente do partido, Edinho Silva, a resolução política recém-aprovada norteará todas as ações partidárias com foco em 2026. As prioridades são claras e duplas: garantir a reeleição de Lula e construir uma reação robusta à ofensiva comercial e política de Trump.
A Busca por um “Muro de Contenção” Político
Para alcançar esses objetivos, o partido defende a formação de “alianças amplas para barrar a influência do norte-americano no pleito”. Essa estratégia sinaliza a intenção do PT de dialogar para além de seus parceiros tradicionais da esquerda. A ideia é construir uma frente democrática que possa incluir partidos de centro e até setores da centro-direita que se oponham ao extremismo e à interferência estrangeira na política brasileira, reeditando, de certa forma, a coalizão que levou Lula à vitória em 2022, mas com um foco ainda maior na ameaça externa.
Os Bastidores do Poder: A Nova Executiva Nacional do PT
A reunião deste sábado também definiu a nova Executiva Nacional do PT para um mandato de quatro anos. O processo de eleição interna refletiu a correlação de forças dentro do partido.
Edinho Silva no Comando com o Apoio de Lula
O novo presidente, Edinho Silva, foi eleito com o apoio direto do presidente Lula. Sua eleição, no entanto, enfrentou resistências de alas consideradas mais à esquerda na sigla, que defendiam outros nomes. A corrente majoritária, a CNB (Construindo um Novo Brasil), da qual Lula faz parte, ficou com os principais cargos da executiva, consolidando seu poder na máquina partidária.
A Composição da Cúpula
A nova direção do PT conta com 5 vice-presidentes, todos homens: Jilmar Tatto (deputado federal por SP), Joaquim Soriano (diretor da Fundação Perseu Abramo), José Guimarães (deputado federal pelo CE e líder do Governo na Câmara), Rubens Junior (deputado federal pelo MA) e Washington Quaquá (prefeito de Maricá – RJ).
A secretária de Finanças e Planejamento, Gleide Andrade, foi mantida no cargo, em uma negociação que, segundo relatos, ocorreu a contragosto inicial de Edinho, mas que foi aceita para angariar apoio interno à sua presidência. A importante secretaria de Comunicação do partido ficou a cargo de Eden Valdares, ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao ministro da Secom, Sidônio Palmeira. O deputado Henrique Fontana (PT-RS) permaneceu como secretário-geral.
PT se Prepara para uma Disputa Prolongada e de Caráter Internacional
A primeira resolução da nova cúpula petista deixa claro que o partido enxerga a eleição de 2026 não apenas como uma disputa doméstica, mas como um campo de batalha de uma guerra política global. A análise sobre a influência de Trump nas eleições de 2026 e a aposta em uma “guerra híbrida” com uso de inteligência artificial colocam o debate político em um novo patamar de complexidade. A estratégia de buscar alianças amplas mostra que, para o PT, a defesa da soberania e do projeto de governo de Lula exigirá uma união de forças que transcenda as fronteiras ideológicas tradicionais.