A morte de Caíque Santos Ferreira, de 19 anos, durante uma ação da Polícia Militar na última sexta-feira (5), em Curaçá-BA, gerou forte comoção, protestos e pedidos de justiça. O caso, registrado oficialmente como morte decorrente de intervenção policial, divide versões entre testemunhas, comunidade local e órgãos de segurança pública, e agora é investigado pela Polícia Civil.
Comunidade em luto com a morte de Caíque em Curaçá
Segundo moradores, Caíque voltava do trabalho e empurrava a motocicleta por falta de gasolina quando foi abordado por policiais militares na entrada da cidade. Testemunhas afirmam que o jovem não reagiu, mas foi atingido por disparos que acabaram tirando sua vida.
Descrito como um rapaz estudioso, trabalhador e querido por todos, Caíque não possuía passagens pela polícia. O sepultamento, realizado no sábado (6), foi marcado por grande comoção. Durante o cortejo, motociclistas percorreram as ruas de Curaçá pedindo justiça e denunciando o que consideram uma ação injusta e desproporcional da Polícia Militar.
Protestos após a morte de Caíque em Curaçá
O caso desencadeou manifestações em diferentes momentos. Já no sepultamento, amigos e familiares transformaram o ato em protesto silencioso contra a ação da polícia. No domingo (7), moradores continuaram repercutindo a morte nas redes sociais, reforçando a boa conduta do jovem e exigindo uma apuração rigorosa.
Na segunda-feira (8), familiares, estudantes, líderes comunitários e religiosos foram às ruas em ato público. A manifestação passou pelas principais vias da cidade, com paradas no fórum e na Câmara de Vereadores.
Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes pediram que o Ministério Público acompanhe de perto as investigações.
Depoimento emocionado da mãe de Caíque
Durante o protesto, a mãe do jovem fez um discurso emocionado, reforçando a inocência do filho e criticando a atuação dos policiais:
“Meu filho era trabalhador, carinhoso e não tinha envolvimento com crime. Eu quero justiça pelo meu filho. Essas pessoas que andam usando fardas são piores que os bandidos. Meu filho era do bem e todos em Curaçá sabem disso.”
Ela também questionou a conduta da PM em não socorrer imediatamente Caíque:
“Por que, quando atiraram nele, ao invés de levá-lo ao hospital, ficaram passeando para colocar coisas que não existiam? Meu filho não era marginal. Ele foi tratado de forma cruel e desumana.”
Versão da Polícia Militar sobre a morte de Caíque em Curaçá
A 45ª CIPM, responsável pelo policiamento em Curaçá, divulgou nota oficial garantindo que “todas as providências necessárias foram tomadas de imediato” e que o caso será apurado “com transparência e responsabilidade, em conformidade com a legislação vigente”.
A corporação reafirmou seu compromisso com a legalidade, a disciplina e a ética profissional, destacando que confia no andamento das investigações.
Versão da Polícia Civil sobre a morte de Caíque em Curaçá
A Polícia Civil da Bahia também se pronunciou, inicialmente informando que, segundo relato da PM, uma guarnição teria sido alvejada por disparos de arma de fogo na região da Vila da Paz. De acordo com essa versão, ao tentar a abordagem, os policiais reagiram, e Caíque foi atingido no confronto.
Ainda segundo a nota, um revólver, munições e porções de maconha teriam sido apresentados na unidade policial pelos militares. Caíque foi socorrido ao Hospital de Curaçá, mas não resistiu.
No domingo (7), a PC-BA informou que instaurou um inquérito para apurar os fatos, com prazo inicial de 30 dias para conclusão.
Indignação da comunidade de Curaçá
Moradores e lideranças locais contestam a versão apresentada pela Polícia Militar, classificando-a como repetitiva em casos semelhantes e injusta por atribuir à vítima envolvimento com crimes.
Uma fonte local relatou:
“Essa alegação da PM, de que Caíque portava drogas e armas, é injusta e irresponsável. Além de não corresponder à verdade, mancha a imagem do jovem e representa mais violência contra sua família.”
Nas redes sociais, seguidores reforçaram a boa conduta de Caíque e pediram investigação independente, com a atuação efetiva do Ministério Público e órgãos de direitos humanos.
Próximos passos das investigações
O inquérito policial em andamento deverá ouvir testemunhas, familiares e os próprios agentes envolvidos. Guias de perícia e necropsia já foram expedidas. O caso também pode chegar ao Ministério Público da Bahia, que terá papel crucial na avaliação das provas e eventual denúncia.
A expectativa da comunidade é de que as investigações tragam respostas claras e que haja responsabilização caso seja comprovado excesso ou irregularidade na ação da PM.
Repercussão e pedidos de justiça
O caso da morte de Caíque em Curaçá ganhou repercussão não apenas na cidade, mas em toda a região do Vale do São Francisco, sendo visto como um exemplo da necessidade de maior transparência e controle das ações policiais.
Familiares, amigos e entidades de direitos humanos reforçam que não irão se calar até que haja justiça e que a memória de Caíque seja respeitada.