A um ano das eleições presidenciais de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nĂŁo apenas se posiciona como o grande nome para a disputa, como tambĂ©m ostenta uma confiança crescente, amparada por nĂşmeros. “Vai ser difĂcil derrotar a gente numa eleição”, afirmou o presidente recentemente, e um novo levantamento da Quaest parece dar razĂŁo ao seu otimismo. A pesquisa mostra Lula Ă frente de todos os possĂveis adversários, com uma vantagem cada vez maior sobre seu principal antagonista em potencial, o governador de SĂŁo Paulo, TarcĂsio de Freitas (Republicanos).
A consolidação de Lula como candidato em 2026 Ă© atribuĂda, em grande parte, a uma ofensiva de programas sociais e benefĂcios que impactam diretamente o bolso da população de baixa renda. No entanto, por trás da crescente popularidade, há um “efeito colateral” que preocupa economistas: o alto custo fiscal. O aumento de tributos e a aceleração dos gastos pĂşblicos para financiar essa popularidade pressionam as contas do governo e levantam um debate crucial sobre a sustentabilidade do modelo a longo prazo.
O Cenário Eleitoral de 2026: A Vantagem de Lula se Consolida
A mais recente pesquisa Quaest revela uma mudança considerável no cenário eleitoral em apenas cinco meses. Lula, que antes enfrentava um adversário em ascensão, agora lidera com folga.
A Virada nos NĂşmeros da Pesquisa Quaest
Em um cenário de primeiro turno, o levantamento aponta:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 45% das intenções de voto.
- TarcĂsio de Freitas (Republicanos): 33% das intenções de voto.
A vantagem de 12 pontos percentuais Ă© significativa, mas o mais impressionante Ă© a tendĂŞncia. Em maio deste ano, o mesmo instituto mostrava um cenário de empate tĂ©cnico: 41% para Lula contra 40% para TarcĂsio. O resultado atual demonstra que, enquanto o presidente cresceu e consolidou sua base, seu principal adversário — que continua negando que será candidato — perdeu fĂ´lego. A pesquisa tambĂ©m indica que Lula venceria em todos os cenários de segundo turno testados.
A “Receita” da Popularidade: O Reforço dos Programas Sociais
O avanço de Lula nas pesquisas não é visto como um acaso, mas como o resultado de uma estratégia deliberada do governo de intensificar programas sociais que geram um impacto direto e positivo na vida da população mais pobre, que compõe a maior parte de sua base eleitoral.
Entre as medidas que tĂŞm fortalecido a imagem do presidente, destacam-se:
- A Tarifa Social de Energia: Que oferece descontos significativos na conta de luz para famĂlias de baixa renda.
- O Programa Gás do Povo: Uma nova versão ou ampliação do vale-gás, que subsidia a compra do botijão de gás de cozinha.
- A Isenção do Imposto de Renda: A ampliação da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil, uma medida de grande apelo para a classe média baixa.
Essas ações, somadas a programas como o Bolsa FamĂlia, criam uma percepção de amparo e melhoria da condição de vida, o que se reflete diretamente na aprovação do governo e nas intenções de voto.
O Preço da Liderança: O Custo Fiscal da Popularidade de Lula
Se por um lado a estratĂ©gia social e eleitoral de Lula se mostra eficaz, por outro, a conta dessa popularidade começa a pesar sobre a saĂşde fiscal do paĂs. A equação para financiar os benefĂcios e o aumento dos gastos pĂşblicos tem sido um aumento na arrecadação.
Aumento de Tributos e da Carga Tributária
Desde que assumiu o Palácio do Planalto, o governo Lula aumentou 27 tributos. Essa polĂtica teve um impacto direto na carga tributária total do paĂs (a soma de todos os impostos pagos em relação ao PIB), que subiu de 31,2% para 32,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Arrecadação Recorde, Gasto Maior Ainda
Com o aumento dos impostos e a retomada da atividade econômica, a arrecadação federal bateu recordes históricos. O problema, apontado por analistas de mercado, é que os gastos públicos cresceram em um ritmo ainda mais rápido do que a receita.
O Aumento do Déficit e a Pressão Futura
Quando o governo gasta mais do que arrecada, o resultado Ă© um aumento do dĂ©ficit fiscal. Esse “buraco” nas contas precisa ser financiado com mais dĂvida, o que pode levar a um aumento dos juros, afastar investimentos e criar um cenário de instabilidade econĂ´mica no futuro. A crĂtica Ă© que a popularidade de hoje está sendo construĂda Ă custa de uma “conta pesada para as contas pĂşblicas” que será paga amanhĂŁ.
O Dilema de Lula: Entre a Reeleição e a Responsabilidade Fiscal
O cenário atual coloca o governo diante de um dilema clássico. A aposta em programas sociais populares se prova uma estratégia politicamente vitoriosa, consolidando a imagem de Lula como candidato forte em 2026. Aparentemente, trata-se de um risco calculado: garantir a reeleição com medidas de apelo popular para, talvez, promover ajustes fiscais mais duros em um eventual quarto mandato.
Enquanto isso, a oposição, liderada em potencial por TarcĂsio de Freitas, observa a estratĂ©gia, com o governador de SĂŁo Paulo mantendo uma postura de negação da candidatura, o que o poupa de um confronto direto em um momento de alta do adversário.
O Caminho para 2026: Popularidade Hoje, Conta AmanhĂŁ?
O caminho para a reeleição de Lula parece, hoje, mais pavimentado do que há alguns meses. A estratégia de focar no social reverteu um cenário de empate e construiu uma liderança sólida nas pesquisas. No entanto, a sustentabilidade desse modelo é a grande incógnita. A pergunta que o Brasil terá de responder no próximo ano é se a popularidade de hoje é um investimento social justo ou uma aposta fiscal arriscada, cuja conta inevitavelmente chegará.