Cessar-fogo mediado pelos EUA entra em vigor, mas clima de incerteza e tensão persiste no Oriente Médio
O Irã anunciou oficialmente o encerramento do que chama de Guerra dos 12 Dias contra Israel, marcando um ponto de inflexão no conflito mais recente entre os dois países. A declaração foi feita nesta terça-feira (24), horas após o início de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, com apoio do Catar. Entretanto, o governo israelense evita confirmar o fim total dos confrontos e afirma que o foco militar volta a ser a Faixa de Gaza, onde o país enfrenta o Hamas desde outubro de 2023.
A trégua, apesar de celebrada como uma vitória pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian, ainda é considerada frágil. Relatos de ataques isolados e declarações conflitantes entre os líderes das nações envolvidas lançam dúvidas sobre a efetividade do acordo.
Irã celebra “grande vitória” e Israel destaca “capítulo significativo”
O presidente iraniano classificou o desfecho como uma “grande vitória para o Irã”, argumentando que a guerra foi “imposta pelo aventurismo de Israel”. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, foi mais incisivo, afirmando que os EUA e Israel devem “aprender com os golpes esmagadores” recebidos. Apesar do tom triunfalista, o Irã ainda não reabriu completamente seu espaço aéreo, embora voos internacionais com permissão especial estejam operando em Teerã.
Do lado israelense, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Eyal Zamir, declarou que “um capítulo significativo foi encerrado”, mas reforçou que “a campanha contra o Irã ainda não acabou”. Segundo ele, Israel conseguiu adiar o programa nuclear e de mísseis iraniano por alguns anos, mas não eliminou completamente as ameaças.
Conflito se desloca para Gaza, com retomada de bombardeios
O novo foco de Israel agora é a Faixa de Gaza, onde o conflito com o Hamas já dura mais de oito meses. “Nosso foco agora é resgatar os reféns em Gaza e desmantelar o regime do Hamas”, declarou Zamir. Desde março, Israel retomou os bombardeios intensivos na região, agravando ainda mais a crise humanitária local.
Segundo organizações internacionais, mais de 90% das estruturas civis em Gaza foram destruídas, e a escassez de alimentos é crítica. Estima-se que ainda haja cerca de 50 reféns israelenses em poder do Hamas, uma ferida aberta para a população de Israel.
Trump media cessar-fogo, mas cobra cumprimento das cláusulas
O cessar-fogo entrou em vigor nas primeiras horas de terça-feira (1h da manhã, no horário de Brasília), anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Apesar disso, o próprio mandatário expressou insatisfação com o andamento do acordo, alegando violações de ambos os lados.
“Israel, não jogue suas bombas. Se fizer isso, será uma grande violação”, escreveu Trump em suas redes sociais. O acordo foi viabilizado após uma ligação direta entre Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, com apoio da diplomacia do Catar e da equipe da Casa Branca.
De acordo com fontes diplomáticas, o Irã se comprometeu a manter o cessar-fogo desde que Israel não retomasse os ataques ao seu território. Até o momento, não há registro oficial de novos bombardeios iranianos.
Especialistas: programa nuclear iraniano foi freado, mas não eliminado
Analistas de defesa israelenses avaliam que os ataques recentes conseguiram atrasar o avanço do programa nuclear e balístico do Irã, mas que a ameaça continua. “O objetivo não era a destruição total, e sim a dissuasão estratégica”, afirmou um especialista do Instituto de Segurança Nacional de Tel Aviv.
Enquanto isso, críticos do governo Netanyahu sugerem que o retorno à Gaza, embora necessário do ponto de vista militar, também serve como distração política. O premiê é acusado por adversários de utilizar o conflito para evitar julgamentos por corrupção e manter apoio de alas mais conservadoras.
Situação Atual – Principais pontos:
- Cessar-fogo anunciado com mediação dos EUA e Catar entrou em vigor na terça (24).
- Irã declara fim da guerra e celebra vitória política e militar.
- Israel nega fim completo do confronto, mas confirma fim dos ataques ao território iraniano.
- Foco volta para a Faixa de Gaza, com retomada de bombardeios e agravamento da crise humanitária.
- Donald Trump intervém diretamente, mas critica possíveis violações da trégua.
- Analistas apontam que programa nuclear iraniano foi adiado, mas não neutralizado.