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Duelo de Poderes: Direita se Articula por Anistia para Bolsonaro no Exato Momento em que STF Inicia Julgamento

Duelo de Poderes Direita se Articula por Anistia para Bolsonaro no Exato Momento em que STF Inicia Julgamento

Em uma manobra política de altíssimo impacto, a base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Congresso Nacional está se articulando para pautar um projeto de anistia para Bolsonaro e seus apoiadores. A ofensiva legislativa acontece no exato momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento do ex-presidente e de sete de seus aliados por uma suposta trama golpista, criando um confronto direto entre os poderes Legislativo e Judiciário.

A articulação, que ganhou força com a saída de dois partidos da base do governo Lula e conta com o trabalho direto do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi denunciada pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, como uma tentativa de subverter a Justiça. Segundo o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, já haveria uma maioria de 292 deputados dispostos a levar o tema à votação, em um movimento que busca oferecer uma “saída política” para as graves acusações que pesam sobre o ex-presidente.

A Ofensiva no Congresso: O Projeto de Anistia Ganha Corpo

A articulação por uma anistia para Bolsonaro começou a tomar forma de maneira acelerada nesta terça-feira (02/09), coincidindo com o primeiro dia do julgamento no STF.

Os Números da Direita e a Atuação de Tarcísio

O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou em suas redes sociais que já há uma maioria de deputados pronta para pautar o assunto. Segundo suas contas, somando as bancadas que seriam favoráveis a colocar a pauta em análise — como PSD, Progressistas, União Brasil, Republicanos, Novo e o próprio PL —, o número chegaria a 292 dos 513 deputados.

Cavalcante também revelou que a articulação teve “grande ajuda” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. “Ele trabalhou comigo todo fim de semana. Me ligou na quinta, trabalhou sexta, trabalhou sábado, trabalhou domingo…”, disse o líder do PL, evidenciando o papel central de Tarcísio, visto como um dos principais herdeiros do bolsonarismo e cotado para a disputa presidencial de 2026.

O Racha na Base de Lula Fortalece a Oposição

O cenário para a oposição se tornou ainda mais favorável com o anúncio, também nesta terça-feira, de que o Progressistas e o União Brasil deixarão oficialmente a base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os presidentes dos partidos, Ciro Nogueira e Antonio Rueda, respectivamente, confirmaram a decisão, que implicará na entrega de cargos importantes, como o comando dos ministérios do Turismo e dos Esportes. Esse movimento libera as bancadas para votarem com a oposição em pautas sensíveis e fortalece o bloco que busca a anistia.

O Alcance da Proposta: Para Quem Seria a Anistia?

A ideia que circula no Congresso é a de uma anistia ampla, que abarcaria uma série de eventos e investigações dos últimos anos.

Do Inquérito das Fake News ao 8 de Janeiro

Segundo Sóstenes Cavalcante, a anistia abrangeria desde os atingidos pelo polêmico “inquérito das fake news”, que tramita no STF desde 2019 sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, até o “presente momento”. Isso poderia incluir não apenas políticos e influenciadores investigados, mas também os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Um “Mecanismo” para Salvar Bolsonaro

O projeto conteria um mecanismo desenhado especificamente para beneficiar Jair Bolsonaro, mesmo em caso de condenação no julgamento em curso no STF. O ex-presidente está em prisão domiciliar como medida cautelar e responde a uma ação penal por uma suposta trama golpista. A anistia, por ser uma lei aprovada pelo Congresso, teria o poder de extinguir a punibilidade de crimes, passando por cima da decisão judicial.

A Reação do Governo e a Denúncia do PT

A articulação da direita provocou uma reação imediata do Partido dos Trabalhadores. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, publicou um vídeo em suas redes sociais denunciando a manobra.

“No momento em que todo o Brasil tem a expectativa de condenação e prisão de Jair Bolsonaro, aqui no Parlamento, com articulação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, os maiores partidos anunciam que, acabado o julgamento, eles vão colocar pra votar a anistia de Jair Bolsonaro”, disse o petista, classificando o movimento como uma afronta.

Segundo relato de Sóstenes Cavalcante, Lindbergh estava presente em uma reunião de líderes partidários e ficou “bem chateado” com a perspectiva de a pauta da anistia avançar na Casa.

Tarcísio de Freitas: O “Primeiro Ato” de um Futuro Presidente?

A atuação de Tarcísio como principal fiador político da anistia reforça seu posicionamento como sucessor de Bolsonaro. Na última sexta-feira (29/08), em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, o governador afirmou que seu “primeiro ato” caso fosse eleito presidente seria conceder uma anistia a Bolsonaro.

“Na hora. Primeiro ato. Primeiro ato seria esse. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”, disse Tarcísio. “Eu tenho plena convicção da inocência do presidente. (…) É por isso que a gente vai trabalhar para que uma anistia seja construída no Congresso Nacional, que é um remédio político e é um remédio que garante a pacificação.”

Apesar da declaração, Tarcísio logo depois negou que seria candidato ao Planalto em 2026, em um movimento político clássico de quem busca se viabilizar sem se expor prematuramente.

A Opinião Pública e o Contexto Internacional

Enquanto a articulação avança em Brasília, a opinião pública parece caminhar em outra direção. Uma pesquisa do instituto Datafolha, realizada no fim de julho, mostrou que a maioria dos brasileiros é contra um perdão para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. A anistia para essas pessoas foi rejeitada por 55% dos entrevistados, enquanto 35% se disseram a favor.

A situação jurídica de Bolsonaro também é um ponto central na tensa relação do Brasil com o governo de Donald Trump nos EUA, que já impôs sanções comerciais ao país e sanções pessoais ao ministro Alexandre de Moraes, alegando uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente.

Um Duelo de Poderes: Judiciário vs. Legislativo

O início do julgamento de Bolsonaro no STF e a simultânea articulação por uma anistia para Bolsonaro no Congresso configuram um dos mais claros duelos entre poderes da história recente do Brasil. De um lado, o Judiciário busca exercer seu papel de aplicar a lei e julgar um ex-presidente por crimes contra a democracia. Do outro, o Legislativo se mobiliza para usar sua prerrogativa de criar leis para oferecer uma solução política que anule os efeitos da ação judicial. O desfecho dessa queda de braço não definirá apenas o futuro de Jair Bolsonaro, mas também os limites e o equilíbrio de poder na República brasileira.

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